LUAS CRUAS DE CARA NOVA!
Pessoal, estou mudando de lugar. Por favor, acessem a nova página do meu blog, não me abandonem!
Pétalas de vidro despedaçaram o fio da navalha
Que em outros corpos relutaria na teimosia dos
Quadrúpedes sem fala
Rompendo o menisco nupcial das vidas
Sensorial e nefasta
Que em outros corpos calaria na voz sombria
Das mortes,
Sentindo o corte profundo dos seus átrios
Imunda e solene
Que em outros corpos quebraria os ossos
Do ofício,
Colocando a matéria sobre o alaúde de
Ouro e lata,
Socando a terra com suas linhas
Menina e órfã
Tosca mina de confetes de carvão,
Espetada sob a luz difusa das mãos
Enraizadas,
Colocando sobre os pés e pulmões de fuligem
Do hospital- cemitério
Louca e virgem,
Que em outros corpos seria a flor das
Casas de Madame Mimi
Roída e consumida com a fumaça branda
Das altas rodas
Quebrada nos encantos das alianças
Partidas, da noite extinguida
Dinamite e grana,
Que em outros corpos deslizaria terra e
Inundaria vales
Com a mesma graça das bombas nos tetos
De Hiroshima,
Nos bares do ópio, na descarga dos cartéis
Amazônicos
Força e trincheira,
Que em outros corpos sufocaria as chibatas
Do anjo imperialista,
Defensor das terras alheias e canhão contra a
“peste comuna
Sofrendo nos calcanhares essa sapatilha
De madeira trepadeira
Prosa e lágrimas,
Que em outros corpos entoaria o canto da
Poesia de Pablo Neruda,
Com suas garras de cobre e sal,
Cobrindo o mar de sonhos,
Para que a sombra dos olhos não apagassem
As pisadas de nossos corpos
Nem a lua convidasse as estrelas a se esconderem
No seu véu de majestade
Nua e pura,
Que em outros corpos fosse apenas corpos
Sem marcas
Longe da fúria das madames ocidentais
Vestida com a pele e a alma desses corpos,
No frenesi de suas embarcações santas
Que em outros corpos seria o odor universal
Dos corpos imaculados
Na cidade do homem sem corpos.
Viva o moralismo!!!
Mulheres! Minhas queridas mulheres, reajam!!! Contra esse machismo que parece não ter fim, contra a coisificação do corpo feminino, da sexualidade feminina, contra a moralidade podre e hipócrita que faz um bando de machistas recalcados atacar uma estudante só porque ela usou uma minissaia. E daí?!!! Talvez o que mais me espanta não seja o fato em si, mas sim os comentários que meus ouvidos atônitos captaram por aí: “Ela deve ter aprontado alguma!” “Boa coisa não deve ser, ela provocou!” O fato de quase 700 pessoas ficarem absurdamente agitadas, animalizadas, hostis e agressivas diante de um par de pernas demonstra, no meu ponto de vista, algo que eu já havia observado, mas que simplesmente escancarou-se diante dessa situação: O MORALISMO ESTÁ A TODO VAPOR.
E o moralismo é contra nós, mulheres, é claro. Se você mostrar suas pernas, é uma puta. E, por ser uma puta, merece ser linchada, moral e fisicamente. Mas, para os machistas “espertinhos”, as mulheres que dançam AXÉ ou que desfilam no carnaval não são putas, porque aquilo é um trabalho. Se você assumir para si mesma a importância do seu orgasmo e exigi-lo de seu parceiro, é uma depravada. Se você é solteira, mas “fica” com vários homens, é uma vagabunda. Se você fica estressada com alguma coisa, é porque está com TPM (como se o ciclo menstrual fosse algo sujo, pecaminoso, medonho, e como se ficar estressado, no caso da mulher, fosse apenas uma condição biológica sem importância, e não um sentimento humano como qualquer outro). Se você está perturbada com alguma coisa, e seu humor não está tão bom, é porque precisa de um homem, enquanto que o homem mal humorado não precisa de uma mulher, o que significa, claramente, que o homem pode salvar a mulher de determinado estado de espírito, mas o contrário não se aplica a ele.
Me parece um tanto quanto grave que algumas mulheres sejam coniventes com os homens que perturbaram a estudante, assinando embaixo dessa patifaria e, assim, perpetuando esses valores que só geram violência. Valores que só beneficiam os homens, em sua noção um tanto quanto distorcida e perigosa dos papéis sociais exercidos pelos gêneros, e por isso se sentem autorizados a exercer a violência doméstica, a pagar um salário menor para as mulheres que exercem a mesma função, a praticar a violência psicológica contra suas companheiras, começando pelas clássicas frases: “Você não vai usar esse decote!”, “você não vai sair à noite para farrear com suas amigas”, e culminando num relacionamento claramente desigual e cheio de sofrimentos, em que ambos acabam aplaudindo uma demonstração pública de hostilidade a uma mulher que simplesmente mostrou as pernas, porque, para ambos, trata-se de uma puta.
Mulheres, acordem! Antes que esse moralismo volte-se contra vocês mesmas, contra suas amigas, filhas. E vocês, machistas, cresçam! De uma vez por todas!!!
Manto
Reluz por um segundo
E finca na eternidade
Ser eterno como se
O manto pudesse
Cobrir a fome
Ao longo do percurso
Sinto a voz da agonia
O que me percorre
E me minimiza
Senão o medo
A sede
Senão a fonte
O grito
E de esperança eu morreria
Se a flor da ingenuidade sangrasse
Se a marca do teu gemido nu
Germinasse em mim
A orgia do espírito
Meu e teu
Teu
Todo
Só
Tudo
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